IDENTIDADES DO BRASIL

Histórias reais de pessoas que lutam pela igualdade racial

Sou Joice Aziza, mulher negra periférica, professora de História da Rede Estadual de São Paulo e especialista em História e Cultura Afro-brasileira.
Senti o gosto amargo do racismo à brasileira (o que deu certo), durante minha fase adulta, junto às questões de cabelo mais enfaticamente. Pois, por muito tempo, ( por ter baixa pigmentação e olhos verdes, mesmo sendo filha de pais de pigmentação mais retinta), fui considerada a “exótica” ou a “moreninha”. A Preta aceitável na sociedade.
Luto no interior e no exterior da sala de aula, pela descolonização de mentes da população não negra, junto ao empoderamento do povo Afrobrasileiro.
Beijafros e axé

Eu, Julia Paes sou da cidade de Lagoa dos gatos/PE, sou parda e Luto todo dia contra o racismo, machismo e transfobia. Sendo do movimento LGBT que tambem luta pela igualdade racial. Eu digo #SIMAIGUALDADERACIAL

Oi. Sou Chris e hoje consegui conhecer Luana e Roberto do ID_BR. Eles deram uma conversa sobre o que eles estão fazendo, e sua nova iniciativa, e foi muito educacional. Eu aprendi muito sobre o que está acontecendo no Brasil, e as semelhanças e diferenças entre o que está acontecendo nos Estados Unidos também. E uma coisa que eu aprendi também é que, talvez, devemos estar mais conscientes do que está acontecendo no Brasil. Temos pessoas que estão em todo o mundo que se parecem com nós, têm os mesmos problemas que nós, e ainda não compartilhamos os mesmos recursos. Acho que há uma responsabilidade de todos, de todas as raças e nacionalidades, de se unir para dizer sim à justiça racial e à igualdade racial. (Hi. I’m Chris and today I was able to meet Luana e Roberto from ID_BR. They gave a talk about what they’re doing, and their new initiative, and it was very educational.  I learned a lot about what’s happening in Brazil, and the similarities and differences between what’s happening in the United States as well.  And one thing I learned as well is that, perhaps, we should be more aware of what’s happening in Brazil.  We have people that are across the world that look like us, have the same problems as us, and yet we don’t share the same resources. I think that there is a responsibility of everyone, of every race and nationality, to come together to say yes to racial justice and racial equality.)

Sofro com o racismo desde que me entendo por gente, então, lá se vão uns 35 anos. Há 9 anos comecei minha trajetória religiosa no Candomblé que agregou mais um elemento de discriminação e preconceito. Este ano completo 7 anos de iniciada e o ódio religioso é mais um monstro a ser enfrentado e combatido. Em minha família aprendemos desde muito cedo a enfrentar o racismo e lutar para ocupar nossos espaços, mas confesso que muitas vezes dá muito desespero ver que a sociedade não muda e que o racismo continua na base do pensamento do senso comum. Tentam nos manter à margem da sociedade. Mas somos raízes e sementes, continuaremos a resistir já que essa foi uma das heranças deixadas por nossos ancestrais.

Sou professora de ballet Clássico, e um dia saindo da sala de aula, eu fui “abordada” por uma pergunta em estilo preconceituoso. Saíamos eu, duas alunas negras e uma aluna branca, e uma pseudo cliente se direcionou a minha única aluna branca, perguntando como era aula, pois ela queria matricular sua filha e queria mais detalhes. Minha aluna deu uma bela gargalhada, e disse: – Eu não sou a professora! Naquele momento, nos deparamos com o preconceito imposto pela sociedade, onde uma professora de ballet clássico não pode ser NEGRA. A pseudo cliente não teve a educação de perguntar quem era a professora: ela simplesmente intitulou que a minha única aluna branca fosse a professora, das 4 pessoas, sendo uma branca, por que apenas a branca poderia ser a professora? Eu me choco que ainda, em pleno século XXI enfrentamos o racismo como pauta ainda forte. Pra mim no momento foi forte, mas eu não podia demonstrar tristeza naquele momento, tinha que, mesmo sofrendo preconceito, manter a compostura e atender a pseudo cliente. Ser negro é ser rejeitado por pessoas incompletas de amor e da capacidade de entender que todos somos iguais. Após esse evento continuo seguindo em frente, e acreditando que anos de estudos não foram em vão. Mas peço a Deus que nos livre dos fracos e que eles aprendam a respeitar e tratar-nos como normais, e não como seres sem qualificação.

Sou negro de pele e indefinido de alma e espírito. Por dentro busco parecer com Jesus Cristo que pra mim é o modelo perfeito de quem não faz acepção de pessoas, cor, raça ou credo. Ele ama igualmente até mesmo os que o rejeitam. Pois bem, minha mãe relata que nossos bisavós, parte eram de Portugal, parte eram Italianos. Aqui no Brasil se misturaram com índios. ELA (minha mae) se misturou com meu Pai (negro) com aflorada raiz africana, minha avó paterna carregava traços indígenas, a tratávamos de “vó china” (à assemelhávamos aos filmes (chineses), porque tinha olhinhos puxadinhos), mas, hoje percebo que os traços eram indígenas. Como a desigualdade me afetou e ainda afeta! Bem, sou advogado e fui administrador de empresa por longos anos. Um dos episódios mais marcantes que recordo foi quando compareci a uma reunião negocial no Rio Grande Sul (Guaiba), eu aguardava na recepção a convocação de entrada. A secretária do gerente compareceu na recepção por duas vezes, me viu sentando e as duas retornou, não acreditando que o único negro que estava na recepção era a pessoa esperada. Passados alguns minutos o telefone da recepcionista tocou perguntando, onde estava (o sr. Ricardo) e ela sussurrou bem baixinho que eu estava sentado na recepção. O gerente meio desconcertado VEIO pessoalmente e me convidou para entrar. Nos balcões de secretarias dos tribunais não é muito diferente, mesmo, realizando tarefas que exigem prerrogativas para prática-las os servidores quase sempre perguntam “você é advogado?). Concluindo (sou brasileiro, com raízes espalhadas entre os continentes africano, europeu e América do Sul) e não nego minha “brasilidade”, ao contrário, muito me orgulho do que sou! A cor da pele é só um detalhe pra mim: um detalhe lindo!

Sou negra. Sofri racismo dos 6 pra 7 anos, às vezes sonho ou lembro do acontecimento: faz 6 anos que me aceitei e 5 que aceitei meu cabelo crespo. Hoje algumas pessoas conversam comigo ou sou incentivo pra elas ,sobre se aceitar.. O que me afeta ainda foi sobre racimos que sofri, e que ainda temos obstáculos na vida por ser negro, e o irônico é que desde da escravidão! Podemos dizer que hoje temos mais facilidade a certas coisas, mas ainda temos que enfrentar os obstáculos.

Sou Jeovane, 22 anos, Preto e Gay. Desde muito pequeno soube de minha sexualidade, mas minha raça e meu empoderamento enquanto pessoa Negra só veio nos últimos 3 anos. Mas o racismo nunca esperou pra me atingir, desde criança escuto que minha pele é encardida, que meus traços “””merecem””” uma cirurgia plástica, e que meu cabelo é ruim. Sou filho de pai negro e mãe branca, e pertencer a uma família miscigenada dificultou me reconhecer enquanto pessoa negra, ainda mais pelas discussões de racismo não terem chegado mais cedo em minha casa. Hoje tenho consciência da minha negritude, me orgulho do que sou. Apesar de viver em uma sociedade que marginaliza meu corpo, meu ser, luto todos os dias contra o racismo e LGBTfobia. Somos maioria e juntas e juntos estamos sendo mais fortes.

Somente aos 40 anos me entendi mulher negra e me empoderei. “Morena” era o termo que me definia antes disso, que igualmente ao “parda” não parece dizer muita coisa. Se entender negro é se libertar de rótulos. É amar seu cabelo e quebrar as correntes sociais que silenciosamente lhe impedem de mergulhar para se entender enquanto ancestralidade. Bençãos e responsabilidade caminham juntas. Foi após me descobrir negra que sofri a minha primeira discriminação racial. Uma tentativa no ambiente de trabalho de me colocar novamente na casca da ostra. Mas o empoderamento é sem volta

Sou mulher, negra e cresci no subúrbio do Rio. Esse tema me afeta muito. Estamos a quilômetros de distância da tão sonhada igualdade. Sou formada em Educação Física há 22 anos, pós-graduada em dança e trabalho na mesma instituição há 17 anos. Mesmo assim, ainda causo estranheza em alguns pais quando eles veem que a professora de balé é negra.

Sou filha de negra com branco. Nunca gostei de ser denominada parda. Herdei características dos dois lados, então sou mistura, mestiça. Desde que pude, me denomino negra e sempre sou olhada com aquela cara de “Como assim?”. Imagino que seja porque herdei o cabelo do meu pai. No momento não tenho cabelo para ser comparado (estou em quimioterapia), por isso talvez não cause espanto se tiver que preencher algum cadastro. O tema me afeta mais no âmbito do trabalho.

Por parte de mãe tenho índio, negro e branco. Por parte de pai tenho negro e branco. Nunca sofri preconceito pela cor, mas pela falta de dinheiro, sim. No meu ponto de vista, o problema está na falta de educação e de cultura. Minha sobrinha de 5 anos é negra e se diz branca: “Tia, eu não sou negrinha”. Só a educação e a cultura vão ajudá-la a aumentar sua auto-estima, superar os desafios futuros e dar as respostas certas, na hora certa e para as pessoas certas.

Apesar de eu ter a pela branca, tenho avós portugueses, pelo lado do meu pai. Eu tive bisavós negros e italianos por parte de mãe. É interessante como a mistura dos povos acaba levando a diferentes tipos de pele. Eu tenho primos bem pardos, outros que chegam a ser quase negros, e eu sou branco de olhos claros. É interessante como essa miscigenação acontece, principalmente no nosso país. Uma coisa que me motiva é tentar ajudar a transformar a vida de pessoas através do esporte, que é algo que sempre pratiquei na vida, e com o qual trabalho hoje

Sou negra, moradora da Baixada. Sou idealizadora do projeto Há Esperança, na Baixada Fluminense. Somos um grupo de convívio de mulheres da Baixada, onde trabalhamos o empoderamento das mulheres de periferia. Minha causa é empoderar essas comunidade de periferia, para uma maior inclusão social.

Minha pele é uma mistura da minha família. O pai do meu avô veio da Lituânia, isso por parte de mãe. Por parte de pai, tenho uma família suíça. E a parte da família do Brasil é misturada, mas não sei de onde vem. Minha pela é essa mistura. Minha causa é a felicidade das pessoas. A gente tem que ser feliz, então, eu visto a causa de tudo que faça o outro feliz. Para o bem dos outros, tem que respeitar um ao outro. Respeitar as nossas individualidades, mas sempre pensando no coletivo.

Sou nascido e criado no Méier, zona norte do Rio de Janeiro. Minha cor de pele é morena. Sou descendente de africanos. Meus avós são negros. Minha causa, e eu corro por isso, é para ser o melhor pai do mundo para meu filho, talvez um pai que eu não tenha tido na infância

Sou carioca e a família do meu pai é da Bahia, minha mae é do interior do Rio. O que me move é a luta para defender principalmente a nós mulheres negras, porque muita gente discrimina a gente por ser mulher e por causa da cor.

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As camisas da campanha Sim à Igualdade Racial tem um coração estilizado, produzido por um grupo de mulheres da Rocinha, favela da cidade do Rio de Janeiro, vinculadas a Cooperativa de Trabalho Artesanal e de Costura. Com este trabalho mais e mais mulheres aumentam suas rendas, são valorizadas e tem o seu engajamento profissional reconhecido, ao mesmo tempo em que incrementamos e fomentamos a economia colaborativa.
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Luana Génot fala sobre o Sim à Igualdade Racial no TEDx SP

Luana é diretora executiva do ID_BR – Instituto Identidades do Brasil, ONG comprometida com a promoção dos direitos humanos e com foco na luta pela igualdade racial através do licenciamento da logo da campanha “Sim à Igualdade Racial” e do desenvolvimento de ações de conscientização e engajamento contra o racismo.

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