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Heróis do Cotidiano

Genesson Honorato



Heróis do Cotidiano

Genesson Honorato, 34, é analista de marketing digital de uma grande empresa internacional de beleza feminina, e conta a sua história na luta contra o racismo e a discriminação. Ele inaugura a nossa seção (Heróis do Cotidiano), justamente por ter ultrapassado um limite entre as oportunidades e a dificuldade em lidar e se destacar diante do preconceito com a cor de sua pele.

Negro, nordestino e de uma família periférica, desde cedo começou a trabalhar e fez de tudo um pouco, numa pousada em Porto Seguro, como caixa de uma farmácia, e ocupando outros espaços como atendente de lanchonete e cobrador de ônibus. Sempre que sumiam objetos e quantia em dinheiro de algum colega de trabalho, era demitido. Cada vez mais inconformado, resolveu mudar-se de Salvador, onde havia ido morar e voltar a Mascote, uma cidade pequenina de apenas 7mil habitantes, no interior da Bahia onde passou a infância. Lá terminou o segundo grau, deu vasão a sua paixão pelos livros, que para ele representava um “lugar que poderia visitar com a imaginação, sem custos”.

Completou os estudos e seguiu para Itabuna, ainda no nordeste brasileiro e conseguiu cursar Psicologia, através de uma vaga no Prouni. Chegou a dar aulas no Senac e pouco tempo mais tarde, foi selecionado como trainee e veio para o Rio de Janeiro desde 2012. Ele comenta que os processos seletivos das grandes empresas precisam ser revistos porque a maior parte deles exigem skills, “que quase nenhum pobre tem. São habilidades de quem estudou nas melhores escolas e teve oportunidade de viajar o mundo, é o que chamo de ‘Invisibilidade Induzida'”. Para Genesson, os brancos e negros estão ainda muito longe de ter a mesma oportunidade. “O caminho percorrido pelo negro é uma problemática que vem muito antes de chegar as oportunidades. Ainda existem muitas barreiras como o preconceito, que tem a função de afastar psicologicamente os negros de qualquer chance”. Mas, o garoto negro e pobre, que nasceu na Bahia e conquistou o seu lugar, deixa um recado pra gente: “não acredite na falácia de quem oprime, não acredite nisso, o preconceito tem a função de oprimir. “Erga a cabeça, agora! Você é honesto, trabalha duro, paga a faculdade com o pouco que ganha, mora longe, dorme tarde e acorda cedo, valorize isso. Aponte para um objetivo e vá! Só depende de você. Conecte-se com gente boa, inteligente, que te ensine coisas, que te aponte livros, musicas, etc. e não se esqueça! Você também tem muito a ensinar. Siga firme, o caminho é longo, mas as recompensas você mais que sentir no bolso, vai sentir na alma. Lembre-se, pobreza não é derrota”.